Resenha: A Diversidade em Perigo - de Darwin a Lévi-Strauss por Pascal Picq

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Em 1831 Darwin partiu para uma expedição na América do Sul e ficou maravilhado. Em 1935 Claude Lévi-Strauss fez o mesmo, porém voltou extremamente decepcionado e em alerta. A diversidade está em perigo.

O Quatro Sentidos apoia a leitura de todos os estilos, por isso a resenha de hoje é um pouco mais científica. Pra quem curte Antropologia e ecologia, o livro é um achado! A galera de Humanas pira.


No livro, Pascal Picq dá continuidade metafórica aos estudos de Darwin e Strauss com muito embasamento. A degradação da diversidade natural e cultural fica em evidência quando o autor faz a comparação das obras do "Naturalista antropólogo e do Antropólogo Naturalista."


"Se, nos dias de hoje, Charles Darwin e Claude Lévi-Strauss partissem novamente para a grande viagem que marcou a juventude deles, uma vez que devastamos enormemente a diversidade biológica e cultural em meio século, ser-lhes-ia impossível fazer as observações que lhes permitiram erigir suas obras científicas e também seria impossível reconstituir, em parte, o grande relato das nossas origens."

"A Diversidade em Perigo" é dividido em três partes, a primeira é um apanhado geral sobre as trajetórias e descobertas dos dois pesquisadores. Essa seção do livro está mais para um resumo, uma aula sobre Darwin e Strauss, serve mais para fazer a imersão daquelas pessoas que não conhecem o trabalho deles. Picq cita algumas espécies descobertas por Darwin, o episódio dos fueguinos e muitas outras temáticas que estudamos nas matérias de Antropologia. 

Fueguinos
A segunda parte do livro reconstitui a jornada do ser humano pela terra e todas as modificações que ocorreram desde a sua radiação adaptativa. Vemos o quanto a terra está ameaçada e o quanto Darwin nos alertou com suas obras. Daí vem Strauss, reafirmando o alarme da antiarca de noé na qual estamos: ao invés de abrigarmos os pares de animais no meio de todo o caos, estamos jogando-os pela amurada.

"Depois desse encantamento, um descobriu a exuberância e o outro, a tristeza dos trópicos. Um deles gostou da viagem, o outro, não."

Chegamos á última parte do livro. Aqui Pascal Picq entra em ação e dá a continuidade a essa história que começou lá por meados do século XIX: o desgaste catastrófico chega ao seu auge: povos, genes, línguas e representações são irremediavelmente extintas. Somos apresentados à terceira era da humanidade e instigados a refletir sobre o que é um povo evoluído e o que é um povo arcaico. Será mesmo que a tecnologia é fator de distinção, no sentido antropológico? 

O alerta nos foi dado pela terceira vez, Picq nos dá alternativas de sobrevivência, mas a escolha está sob nossas costas. Vamos deixar a terra seguir seu curso natural ou devastar ainda mais o que resta, nos levando à derrocada? 

O livro é um tapa na cara daqueles que acham que o aquecimento global é bobagem, que os índios e aborígenes são raças inferiores ou que não estão nem aí para a extinção de um animal que não faz parte da sua bolha de convivência. Vale a pena a leitura e a reflexão!

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