Resenha - Léxico de Max Barry

Comentários


As palavras têm poder. Elas não ferem. Matam.
É bem clichê eu começar escrevendo uma frase de efeito como a que vem a seguir, mas ela se encaixa perfeitamente com Léxico: eu não tenho palavras para descrever esse livro.

Com certeza a melhor leitura de transição 2015/2016, Léxico é uma história que te envolve do começo ao fim. Uma leitura dinâmica, intrincada, reveladora. Merece um lugarzinho na sua estante agora mesmo, já pode deixar o espaço reservado antes mesmo de terminar esta resenha.





Antes de te falar sobre o que se trata o livro, existem 5 simples perguntas que eu adoraria te fazer, se quiser deixar aqui nos comentários as respostas eu agradeceria, elas têm tudo a ver com a história:

1. Você gosta mais de gato ou de cachorro?
2. Qual é a sua cor favorita?
3. Escolha um número de 1 a 100.
4. Você ama sua família?
5. Por que você fez isso?

Quer saber do que se trata? LEIA LÉXICO!



A obra de Max Barry conta uma história por dois pontos de vista: 
Enquanto Wil Parke, um homem comum, se vê sendo perseguido no aeroporto sem nem ao menos saber o porquê, Emily Ruff, uma moradora de rua que sobrevive por meio de jogos de cartas é selecionada para entrar numa escola onde se ensina a arte das palavras: a persuasão.

Até metade do livro nos vemos meio perdidos com todo o caos do desconhecido. Estamos mais perdidos que o Wil e mais despreparados que a Emily, mas quando as coisas começam a se interligar você prende a respiração e só pensa uma coisa: NÃO. PODE. SER.



O livro é sobre o poder das palavras, sobre o quão elas podem ser mortais. E Max faz um ótimo uso delas, criando um universo tão concreto que somos capazes de acreditar que ele realmente existe. Que existem jogos de palavras tão poderosos que são capazes de derrubar qualquer defesa mental e tornar uma pessoa serva delas. 

Emily estuda num lugar com as mais rigorosas normas, com a finalidade de se tornar uma "poeta". Após a formatura, os alunos recebem um novo nome advindo de grandes poetas. Eles têm o dom de comprometer a mente das pessoas sabendo a qual segmento mental ela pertence. Existem segmentos dominados pelo medo, pelo egoísmo, pela insegurança... E basta um poeta descobrir como sua mente funciona para ele conseguir invadir e submeter você a qualquer coisa que ele queira. 





(pequeno spoiler, não compromete a leitura)
Uma das passagens mais legais do livro é quando Emily é enviada a campo para persuadir as pessoas do outro lado da rua a atravessarem para o seu lado. Você fica imaginando mil maneiras de fazer isso acontecer, como apenas chamar um desconhecido do outro lado, inventar uma mentira ou até mesmo um pequeno acidente. 
(fim do pequeno spoiler)

E são os poetas que estão atrás de Wil Parke, que ao lado de um cara perigoso que também tentou o matar, Eliot, parte em busca de sobreviver às garras de Virginia Woolf, sem saber o motivo pelo qual está sendo caçado. Ele apenas sabe que tem algo em sua mente, uma palavra, capaz de fazer o mundo curvar-se ao seus pés, mas ele sequer lembra que palavra é essa.
Para que ele possa se lembrar, os dois partem para Broken Hill, cidade fantasma supostamente dizimada por um vazamento químico.


E é através de uma história de tirar o fôlego que as coisas são esclarecidas, com muita ação, inteligência e referências incríveis (como a escritora Virgina Woolf) que Léxico conquista seus leitores. Tudo parece tão verossímil que você acaba caindo em tentação e querendo aprender sobre o poder das palavras, sua relação com a Torre de Babel, com a internet e com a inteligência das agências mundiais.

Ah, e legal também é que durante o livro existem recortes de jornais, sites e fóruns que, pesquisados na internet, te levam para um domínio do autor onde você encontra aquela passagem, o que deixa tudo mais assustadoramente real!

Eu poderia passar um tempo enorme falando das reviravoltas e conspirações do livro, mas preciso encerrar, por isso só digo que vale cada palavra.

Não perde tempo, "carlott sissidem nox, leia esse livro!".


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Valeu pelo comentário!