Resenha: O Sonho do Café - Andrea Illy

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"Os cafés são um lugar onde consumimos o tempo e o espaço, mas onde, na conta, vemos apenas o café."

Se eu pudesse definir esse livro em poucas palavras eu diria: "Ele é uma aula".

Uma aula de filosofia, sociologia, química, geografia, história, empreendedorismo e arte. Ele não é uma simples biografia e merece ser lido por todos aqueles que amam o café. Depois de conhecer melhor o mundo Illy comecei a sentir sabores na bebida antes nunca percebidos. 





O café é paixão nacional, todo mundo já sabe. Mas você sabia que em cada xicrinha existem milhares de aromas, sabores e boas histórias? O café é mais rico do que você imagina e é com o italiano Andrea Illy que vamos viajar por todos os locais onde essa bebida passou, aprendendo também muita coisa sobre a Illycaffè, empresa especializada que busca a excelência em todos os detalhes.



Eu, como a maioria dos publicitários, sou viciado em café, então a Valentina acertou em cheio em me enviar esse livro para eu resenhar. Se você também adora essa bebida, vai se apaixonar ainda mais. Se você não curte, com certeza vai começar a ver o café com outros olhos e vai adorar todas as curiosidades que o envolve.


Você sabia, por exemplo, que o café foi considerado uma "Bebida de Satanás" por ser originalmente muçulmana? E que o Papa, após beber, disse que o verdadeiro pecado seria deixar que uma bebida tão boa assim fosse consumida apenas pelos infiéis, e o abençoou?

O Sonho do Café traz essa e várias outras curiosidades, dividas em 4 partes: 

O Sonho do Café dá uma intensa introdução sobre a importância do café no mundo e para a família Illy, além de destrinchar o que são os sonhos propriamente ditos. Entre histórias antigas sobre a origem da bebida e a trajetória iniciada pelo seu avô, Francesco, Andrea nos conta de forma emocionada em como a indústria Illy foi parar em suas mãos. Talvez o único excesso nesta parte do livro seja o endeusamento da bebida e a mensagem reforçada da busca pelo café perfeito da sua empresa. Mas vamos combinar que isso é coisa de um grande entusiasta.



Em Busca do Bom fala da união do Bom e do Belo filosoficamente falando. Neste capítulo somos apresentados aos trajetos que a Illy traçou para conseguir o café perfeito. As aprendizagens e curiosidades que fazem da sua bebida a melhor. Iniciamos também a perceber como o café pode mudar a vida das pessoas e quais os benefícios dele para a saúde.

A Beleza Salvará o Mundo? É o meu capítulo favorito, é nele que viajamos na importância visual, na arte, na publicidade e nas galerias promovidas pela Illycaffè. É aqui que vemos o nascimento da nova marca, das xícaras ilustradas e das exposições da empresa. A leveza com que Andrea conta os detalhes faz com que seja uma leitura prazerosa e enriquecedora. 



O Sabor da Felicidade por fim continua a falando sobre a publicidade da marca mas com um novo norteamento: a Illy como conceito de felicidade. "Live HappIlly". Aprendemos mais sobre o que significa a felicidade e como ela pode ser alcançada. Será o dinheiro realmente importante? Será que o Hedonismo estava certo? Quem é o homem mais feliz do mundo? Essas são algumas das perguntas que Andrea nos responde. 




Como você pode ver, nem só de café vive o livro. É uma viagem completa com tantas curiosidades sobre tantos assuntos que o livro é um prato cheio para os curiosos.



O Sonho do Café tem um foco bem interessante em nossa terrinha. Por ele nós sabemos o quanto o Brasil foi importante para o crescimento do mercado cafeeiro no mundo, com suas safras medíocres originalmente, mas melhoradas com o expertise de Andrea Illy.

Fiquei extasiado com as histórias que envolvem as xicrinhas da empresa e em como ela foi concebida, em como um café pode se diferenciar dependendo de fatores improváveis e em como uma empresa totalmente concreta pode se reinventar a cada geração.



Antes de encerrar, vou falar os pontos negativos, é claro. Para mim, só existem duas coisas que me incomodaram: mesmo tendo um índice no fim, a falta de legenda nas fotos que acompanham o livro foi um problema. Algumas imagens são claras e conversam diretamente com o texto, mas algumas deixam aquele ar de que existe uma história legal por trás dela que não foi explorada. O outro ponto é o jeito como Andrea escreve em alguns pontos, demonstrando um lado um pouco xenofóbico e egocêntrico de sua parte, mas nada que diminua minha recente admiração por ele.



Para me despedir, deixo um dos vários presentes que Andrea escreve. Um velho ditado, que muitos podem conhecer, mas que é bastante incentivador:

Dois operários empilham tijolos. Um deles pergunta ao outro: "O que você está fazendo?" O segundo responde, incomodado: "Você não está vendo? Estou empilhando tijolos. Por que pergunta? E você, o que está fazendo?" O primeiro operário responde, sorrindo: "Estou construindo uma Catedral."

É com essas palavras que eu encerro essa resenha, gente. Foco, determinação, visão do futuro e boas xícaras de café, acompanhadas de uma leitura incrível como O Sonho do Café.





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