Resenha - Pequenos Deuses de Terry Pratchett

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"O problema de ser um deus é que você não tem pra quem orar"


Quem adora misturar fantasia com ironia e crítica social, leia esta resenha até o fim. Se você não adora, leia do mesmo jeito, pois com certeza você virará fã do trabalho incrível de Pratchett.

Já li alguns dos livros do mundo de Discworld, criado por Terry em 1983, mas posso afirmar que, dentre todas, com certeza esta é uma daquelas que vão ficar nos seus favoritos. 

O mundo fantástico de Discworld conta com mais de 35 livros, todos ambientados num planeta totalmente plano apoiados em quatro gigantes elefantes que, por sua vez, estão sob o casco da Grande Tartaruga Cósmica A'tuin. 




Nesse mundo vivem bruxos, dragões, anões e todo tipo de criatura que você imaginar, além de governantes corruptos, religiosos fanáticos e todo tipo de coisa ruim que o nosso planeta tem. É dessa mistura que saem as melhores frases e te deixam com um sorriso de idiota enquanto lê a caminho do trabalho.

Mas vamos parar as introduções por aqui, pois literaturas complexas e engendradas como essa não são totalmente explicadas até que você mergulhe nelas. O que vale dizer é que esse mundo influenciou diversos outros meios e hoje contamos com filmes, jogos e diversas outras plataformas interessantes que você pode explorar ao longo da vida. 

No décimo terceiro livro, Pequenos Deuses, vemos a história do deus Om e seu único e verdadeiro seguidor, Brutha, um homem simples e ignorante que logo vira o seu profeta. Ele então deve buscar a verdade e não apenas ouvir o que os "quisidores" dizem.







 " - Isso é o que minha vó costumava dizer - comentou Brutha automaticamente - Ela costumava me dar uma surra a cada manhã, porque eu certamente faria algo para merecê-la durante o dia.
- Uma compreensão bem completa da natureza da humanidade - disse Vorbis, com o queixo na mão - Não fosse a deficiência de seu sexo, me parece que ela teria sido um excelente inquisidor."







Todos acreditam que Om é um imenso touro forte e imortal, mas a verdade é que sua atual forma é de uma tartaruga velha, faminta e caolha, que logo é abrigada por Brutha e busca se destacar entre milhares e milhares de deuses menores, que precisam de ao menos um fiel para sobreviverem.


"- Nunca tive esse problema quando eu era um touro. O número de águias que pode pegar um touro pode ser contado nos dedos de uma cabeça. - disse a tartaruga."

O livro inteiro critica algumas práticas religiosas e demonstra como a fé pode ser uma faca de dois gumes.

Na história, Brutha tem uma certa habilidade impressionante de memória fotográfica. Basta apenas um segundo de observação e ele consegue memorizar qualquer coisa em seus mínimos detalhes, por isso ele acaba sendo convocado para uma missão por Vorbis, o Diácono. 

Eles partem para Efebo e é lá que acontecem as melhores partes do livro, já que é uma cidade repleta de filósofos malucos e você se vê preso por pensamentos ridículos e alguns bem profundos. Parece chato falando, mas leiam os trechos que eu coloco aqui para vocês verem como a leitura flui muito leve e com um humor inegável.


“Há bilhões de deuses no mundo. Formam um bando mais numeroso do que ovas de arenque. Muitos deles são pequenos demais para serem vistos e nunca são adorados, pelo menos não por algo maior do que bactérias, que nunca fazem suas orações e não são muito exigentes em termos de milagres. São os pequenos deuses – os espíritos dos lugares onde duas trilhas de formigas se cruzam, os deuses dos microclimas abaixo dos gramados. E a maioria deles continua assim.”

Bem gente, eu podia falar por um ano aqui, mas ficaria cansativo, por isso eu recomendo imensamente que vocês acompanhem as aventuras pelo mundo do Discworld, cada livro é incrível e cheio de magia, nada se repete deles e vocês irão viajar por lugares extremamente cativantes e inesquecíveis. 

A dica pra quem tá começando agora é ler primeiro "A cor da magia" e "A luz fantástica", apesar que cada obra pode ser lida individualmente, ou seja, você não vai ficar preso nem ser obrigado a ler todas as 39 obras. Faça o seu roteiro do jeito que preferir, assim como fiz o meu. Até a próxima. 


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