Resenha - O Gigante Enterrado

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Eis que finalmente terminei de ler "O Gigante Enterrado", o primeiro livro que conheço do escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, autor de algumas obras premiadas e adaptadas para o cinema. Infelizmente não foi uma das boas leituras do ano.


Vejo muita gente elogiar o livro, dizer que é bom fugir dos temas leves e pegar algo mais substancial, porém tenho ótimas indicações de livros mais "pesados" que são interessantes e fluem bem, diferente deste. Ele realmente pode prender alguns leitores mas, como opinião pessoal, de legal ele só tem a capa e a borda das páginas (que são do mesmo tom de azul).


Demorei quase um mês inteiro pra terminar, mas como desisto muito raramente de um livro decidi levá-lo até o fim (Tanto é que de todos até hoje só desisti realmente de "A última música" e "Crepúsculo").

Ao ler os primeiros rascunhos do livro, Lorna, a mulher de Kazuo, foi enfática: "Isso não vai dar certo e isso não quer dizer que você precisa ajustar, você precisa começar do zero". Bem, pelo jeito ele não deveria nem ter recomeçado.

Perdão se eu estiver sendo muito brutal, mas é impossível não escrever com sinceridade.

Bem, vamos ao que realmente interessa? Quem não leu o livro pode continuar mais um pouco, quando chegar nos spoilers eu aviso.


Com 1.800 leitores no Skoob, 6 abandonos e 3.9 estrelas, "O Gigante Enterrado" conta a história de amor entre um casal de idosos ingleses na Idade Medieval, Axl e Beatrice. Os velhinhos decidem partir ao reencontro de seu filho, que há tempos deixou a aldeia onde eles moravam sem manter contato.

Também descobrimos que todo o reino onde eles vivem está sob o efeito de um antigo encanto, que enevoa os pensamentos e faz com que todos esqueçam memórias, sejam elas recentes ou antigas, o que dificulta a lembrança de bons e maus momentos. As pessoas vivem sob um eterno estado de esquecimento por causa da névoa. O casal descobre, posteriormente, que a névoa é expelida pela dragoa que assola a região, Querig. 
  



No caminho, Axl e Beatrice demonstram um amor intenso e inabalável, além de conhecerem outros personagens importantes nesta jornada: o bravo cavaleiro Winstan, que tem um pressentimento de que conhece Axl mas não consegue concretizar por causa da névoa do esquecimento; o pupilo de Winstan, o jovem Edwin, que foi salvo da própria aldeia onde morava, já que fora sequestrado por trolls e havia se machucado misteriosamente, alimentando assim a mente dos aldeões de superstições; por fim mas não menos importante, um velho cavaleiro e sobrinho de Arthur,  Sir Gawain, que, junto com seu cavalo Horácio, têm uma importante missão confiada pelo próprio Rei.


É nessa viagem que nós nos deparamos com monges, fadas, dragões, cavaleiros e guerras esquecidas pelo tempo. Tanto é que o nome do livro vem exatamente dessa última menção, o "gigante enterrado" é a guerra.

Agora vamos para os pontos negativos. O livro em si começa bem, nos deixa curiosos, porém no decorrer da obra nos vemos num loop infinito. O livro é interminável, não se desenvolve do jeito que esperávamos e o pior de tudo: os diálogos são maçantes. Foi um sacrifício imenso terminar "O Gigante Enterrado" exatamente pelas conversas enfadonhas e pouco construtivas, não aguentava mais Axl chamando Beatrice de "Princesa" a cada segundo, repetindo as mesmas perguntas 500 vezes e recebendo as mesmas respostas. 

Quanto mais eles andam, mais longe parecem estar do destino, quando esperamos ação ela não acontece, quando esperamos diálogos inspiradores, não encontramos. É simplesmente perda de tempo ler o que eles falam, se pularmos umas 50 páginas no meio do livro e continuarmos a ler, percebemos que o desenrolar da história continuará o mesmo, sem alterações importantes, mudando apenas o lugar onde eles estão. 


- SPOILER - 
- Passe para o próximo parágrafo caso não tenha lido o livro - 
E pra terminar, cadê a ação desse livro, minha gente? Esperamos (pelo menos eu esperei) uma luta árdua contra Querig e, quando finalmente chegamos nela depois de toda a enrolação, Winstan vai lá na moribunda, corta a cabeça dela e pronto, felizes para sempre? Além de ficarem tantas lembranças em aberto, a história de amor entre os dois mal explicada e pontos da guerra sem esclarecimento. A única coisa que eu gostei ou teria gostado caso não estivesse tão frustrado foi a volta da lembrança de que o filho estava morto e de que eles iam ao seu túmulo. Mas aquele fim em aberto piorou ainda mais a situação e eu fechei o livro com raiva pra nunca mais.

- FIM DO SPOILER - 


Mas é como eu digo, cada experiência é única e caso você tenha se interessado pela sinopse, embarque na leitura, você pode estar perdendo uma boa história por conta de minhas palavras. Você que decide, ok? 

E é isso galera! Espero que tenham curtido minha resenha e em breve voltaremos com outros livros. Se você concorda ou discorda do que leu acima, deixa pra gente nos comentários, ficamos muito felizes com cada pessoa que deixa algumas palavras aqui embaixo. Até a próxima!


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