Cinema 4S - Que Horas Ela Volta? - Second Mother

Comentários



"Eu não me acho melhor que ninguém não. Eu só não me acho pior." Que Horas ela Volta, o melhor filme brasileiro de 2015 e com um punhado de sorte nossa primeira estatueta no Oscar 



"Que Horas ela Volta", 112 minutos, é um filme de 2015 dirigido e escrito por Anna Muylaerte (Xingu), estrelado por Regina Casé (Eu, Tu, Eles), com Camila Malárdia (O outro lado do Paraíso), Karine Teles (O lobo atrás da porta), e Lourenço Mutarelli (O ano em que meus pais saíram de férias.) O filme é focado na doméstica Val, que trabalha há 13 anos na casa dos patrões de classe média alta e após 10 anos reencontra sua filha que veio passar umas semanas com ela, tendo que viver na casa dos patrões de Val. 


Não é tão incomum assim acharmos filmes do calibre de "Que Horas ela Volta", como "O som ao redor" e "O lobo atrás da porta", mas este conseguiu algo que poucos filmes nacionais conseguiram; cair nas graça do Brasil. Historicamente é possível contar nos dedos os longas feitos aqui que desbancam em bilheteria. Temos "Central do Brasil", "Cidade de Deus", "Carandiru", "Tropa de Elite", e agora este. Mas qual o real diferencial de "Que Horas ela Volta?"

Simplicidade. 

Tudo no filme é tão simples e tão real, que quase qualquer pessoa pode se identificar com as cenas do filme.  Anna Muylaerte é primorosa em mostrar o simples e o complexo do mesmo jeito, fazendo que simples objetos de cena, ganhem tanta importância, brincando com os ângulos de câmera fixos na cozinha ou no corredor. Tudo é orquestrado para a conclusão fantástica do filme. 


Mas se engana quem pensa que por ser simples, ele é fácil de ser assistido. O longa engasga muitas vezes com o absurdo. A família na mesa, e Val recolhendo os pratos e perguntando sobre a sobremesa. O pai indo até a cozinha pedir para que Val pegue um refrigerante para ele (mesmo a geladeira estando mais próxima dele do que de Val). O longa dá vários tapas na cara do espectador, mostrando que por mais natural que aquilo possa parecer, ainda assim é um absurdo. Como citado por uma crítica "Assistir que horas ela volta fora do Brasil, é pedir para passar vergonha". 


Mas é uma vergonha necessária, afinal por mais que não existam mais tantas domésticas no estilo de Val hoje em dia, ainda assim existem. Mas de novo, não se engane pensando que este é um filme triste. A alegria contagiante de Regina Casé dá um ar leve às cenas. Sempre sorrindo, ela não demonstra nenhuma vez que o trabalho constante a incomoda. Porque por mais que ela trabalhe é a presença de Fabinho que lhe dá forças para continuar na casa. E é a presença de Fabinho que a fez ficar 10 anos sem ver sua própria filha. Para quem pensa que isso é um absurdo, eu só posso responder com três palavras; "Coração de Mãe". Não é à toa que em inglês o filme se chama "Second Mother", e em todas as cenas entre Fabinho e Val isso fica claro. Val é sim sua mãe.  


Chegando no personagem de quebra, Jéssica, filha de Val que veio do Ceará prestar vestibular em São Paulo. Jéssica pode parecer uma personagem complicada no começo, mas ela representa uma coisa bem simples; a mudança. A nova geração que cresceu com a internet e não quer mais viver essa vida quase escrava. A geração que consegue ver que com esforço e estudo as coisas vão melhorar. E não pense que é coincidência Val morar no quartinho dos fundos da casa, e sua filha querer ser uma arquiteta. Afinal, segundo ela mesma "Eu acredito que a arquitetura pode ser um instrumento de mudança social". A arquitetura pode deixar aquele quartinho de empregada, do mesmo tamanho do quarto dos patrões. Que filme! 


Não entrarei muito no enredo para não tirar algumas das surpresas necessárias do longa, mas para quem é apaixonado por cinema esse filme é fundamental. Com 4 estrelas no omelete, 8.1 no IMDB e 95% no rotten tomatoes, "Que horas ela volta" não é o filme que pedimos, mas sim o filme que precisamos. "Agora vá Buscar Jorge".



Nenhum comentário:

Postar um comentário

Valeu pelo comentário!