Resenha - Quando Tudo Volta

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 "Um irmão representa o passado, o presente e o futuro de uma pessoa." 








  
Eu nunca tinha ouvido falar sobre esse livro, nem visto qualquer divulgação ou post sobre resenha, mas um dia passando pela livraria ele me chamou a atenção pela capa - coincidência ou não, a maioria dos meus livros são azuis - e pela sinopse. Então, depois de alguns meses na fila de espera na estante, chegou a vez dele.

Vamos falar um pouco sobre a história então?



Confesso que demorei 3 dias para chegar até a página 54, e cheguei a me arrepender de ter comprado o livro, mas eu nunca desisti de uma leitura, por pior que ela seja, pois aprendi que muita coisa pode me surpreender. E mais uma vez tomei um tapa na cara.

O livro conta a história de Cullen Winter, um adolescente entediado em viver na pequena cidade chamada Lily em Arkansas. Cullen é reservado, com poucos amigos, mantem um otimo relacionamento com seu irmão Gabriel e tem como melhor amigo Lucas Cader.

O livro começa com Cullen tendo que ir ao necrotério reconhecer o corpo de seu primo Oslo que morreu devido uma overdose, então a sua tia - mãe de Oslo - acaba passando uns dias dormindo do quarto de Gabriel, tentando se recuperar do luto por ter perdido o filho.
Logo no início então podemos notar o ótimo relacionamento que os irmãos tem, tendo que dividir o quarto durante semanas, os irmãos convivem em perfeita harmonia.
Os diálogo de Cullen com Gabriel são naturais e leves, são bons de ler e me peguei varias vezes com um sorrisinho no rosto enquanto li, a relação deles é realmente muito fofa.

"O Dr. Webb disse que, quando alguém jovem morre, as pessoas mais velhas se sentem culpadas por viver."

Ai que a coisa começa a fica meio confusa, o livro muda de capitulo e começa a contar a historia de Benton Sage, um missionário que foi ajudar os famintos na Etiópia, e então me perdi muito no decorrer da leitura mas não desisti. Benton vem de família extremamente religiosa, e cresceu tentando tudo o que fosse possível para dar orgulho ao seu pai, um homem difícil de impressionar. Benton acaba sofrendo nas mãos do seu velho.

 Então as coisas começam a mudar na pacata cidadezinha, a possível aparição de um Pica-Pau que até então estava extinto há 70 anos, faz com que Lily vire o destino dos amantes de pássaros. Ao mesmo tempo que as manchetes dos jornais locais só falam no Pica-Pau Lázaro, Gabriel, irmão de Cullen, desaparece.

" -Cullen, as pessoas não podem desistir uma das outras ainda. Todos merecemos uma segunda chance, sabe? Podemos começar de novo, como Noé depois do dilúvio. Por pior que um homem seja, ele sempre ganha uma segunda chance, de um jeito ou de outro."
Então acompanhamos o desespero dos pais e a angustia de Cullen e de Lucas por não saberem o que aconteceu com Gabriel. Nenhuma pista, nenhum bilhete, nenhum rastro que ajude a desvendar o mistério de para onde foi o garoto de 15 anos.

"Se o irmão mais novo de alguém desaparece, não lhe dê um hambúrguer de graça para que ele se sinta bem - não funciona."

O livro gira em torno do Pica-Pau Lázaro e o desaparecimento de Gabriel.
A ave aparece, o garoto desaparece.
As manchetes só falam no pássaro, deixando de lado o sumiço do jovem, com isso Cullen fica revoltado, o pássaro ganhando de seu irmão.

É então que o livro começo a prender para valer.
As hipóteses são grandes,  eu comecei a ficar vidrada em descobrir o que tinha acontecido com o garoto, e não consegui parar de ler, acabei lendo 171 páginas de uma única vez, finalizando a leitura no 3º dia.

Cullen é único, John Corey Whaley conseguiu criar um personagem cheio de pensamentos e sentimentos, inseguranças e medo. E não é o único personagem marcante, Lucas é outra bela criação de Whaley. A escrita de Whaley é diferente, mais pesada, é como se ele sentasse na sua frente e começasse a te contar a história.
O livro tem uma pitada de extremismo religioso X vulnerabilidade, muito interessante e bem colocado, acaba nos dando surpresas e mudando o desfecho de tudo.

Como os personagens principais são adolescente, temos também romances, - é claro que Cullen é apaixonado pela gata do colégio - , os diálogos são leves e rápidos, alguns até com um tom de humor, nada de textos difíceis e os capítulos são curtos. 
"Quando alguém acorda sozinho na casa dos pais de uma mulher parcialmente casa, com a mãe dela passando o aspirador no carpete e sorrindo, pensa em se transformar em um líquido, vazar da cama, entrar nas frestas do chão e desaparecer. Quando nota que está muito nu e coberto apenas por um lençol fino, fecha bem os olhos e pede a Deus que um tornado arrase a casa e leve a mulher embora para que possa sair e chegar ao turno da tarde no trabalho" 
O final me decepcionou um pouco, não pelo fato em si, mas pela descrição do fato, tudo muito rápido, e pronto acabou. Achei que ficou faltando alguma coisa, uma emoção quem sabe?

Não desista do livro, mesmo que o começo seja difícil de engolir, pois vai valer a pena, acredito que não será o seu livro favorito mas também não será o pior que você irá ler. 

 Alguém ai já leu? O que acharam?
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