Capitães da Areia

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"O padre José Pedro dizia que a culpa era da vida e tudo fazia para remediar a vida deles, pois sabia que era a única maneira de  fazer com que eles tivessem uma existência limpa."

   
   Confesso que prefiro livros internacionais aos nacionais, porém há alguns que me surpreendem, foi o caso de Capitães da areia. É aquele livro que fala da vida de ladrões, menores abandonados e tal (que o cinema brasileiro adora fazer filme, encher de sacanagem e de palavrões).






           Capitães da Areia é escrito de uma forma tão sincera e psicológica que você acaba preso ao livro, como se você pertencesse ao grupo. Você passa fome, sente dor, revolta, humilhação, adrenalina, tudo isso na pele dos menores delinquentes.

             O livro é dividido em 3 partes e possui como epílogo algumas "cartas à redação" de um jornal fictício, o que deixa o livro com um toque a mais de realidade. Na primeira parte do livro você conhece todas as personagens, onde eles moram e onde se passa a história. Em resumo, é o seguinte:

          Nas ruas da Bahia perambulam menores abandonados que se reuniram e criaram um grupo com mais de 100 integrantes. Eles vivem do furto e da violência, e a maior parte deles mora num trapiche abandonado à beira do cais. É aí que conhecemos Pedro Bala, o chefe do bando; Professor, o cabeça do grupo; Pirulito, que costumava ser um dos mais violentos até que se convertera ao catolicismo, decidido assim seguir uma carreira religiosa; João Grande, negro forte, alto e bruto, porém burro como uma porta; Gato, um índio malandro que tem um caso com Dalva, prostituta; Sem-pernas, deficiente traumatizado pela violência a qual fora submetido numa delegacia; Volta seca, um menino que sonha em entrar para o cangaço e que faz de tudo para ser aceito no bando de Lampião, entre outros.



           
         Ao longo da narrativa você se depara com capítulos muito interessantes, como "o carrossel", onde os meninos trabalham para o dono de um carrossel japonês, deixando de lado a brutalidade para lembrar que são apenas crianças, que também merecem carinho e afeto, alguém para protegê-los... 

         Mas esses sentimentos passam diante da verdade em que eles vivem, os roubos, as violências sexuais no areal continuam acontecendo até que o alastrim chega. O alastrim é um dos tipos de varíola que vai torturando e matando todos os pobres de Salvador, que não podem pagar um bom tratamento como os ricos. É no alastrim que a segunda parte do livro começa, é onde nós conhecemos Dora. 



         
        Na segunda parte, a "filha de bexiguento" adentra no bando, órfã de pai e mãe e com um irmão nas costas, Dora procura emprego na cidade, porém é rejeitada porque as pessoas têm medo de que ela esteja contaminada pela doença. Então ela é encontrada pelos capitães da areia e levada ao trapiche, lá Dora quase é estuprada, porém acaba virando a "mãe" e a "irmã" dos capitães, que precisavam de uma presença materna para se sentirem vivos. 

     Em um dia comum de roubo, Pedro Bala e Dora são capturados pela polícia, ele levado ao reformatório e ela para o orfanato. Lá eles sofrem bastante, mas Pedro não pensa em nada além de fugir para salvar Dora daquele inferno. 

      Após a fuga, a terceira parte do livro se inicia, contando o que aconteceu a cada um doa integrantes do bando. 



         Recomendo o livro principalmente para aqueles que querem possuir uma ideia crítica sobre o comunismo, já que o livro prega muito o credo vermelho, além estar carregado de influência religiosa, o que não podia faltar nos livros de Jorge Amado. Há sempre o paradoxo entre o Catolicismo e o Candomblé, cidade alta (ricos) e cidade baixa (pobre), ódio e amor, guerra e paz. 

        No Dia 14 de Outubro de 2013 a adaptação foi lançada nacionalmente, e claro que não é exatamente a mesma coisa, como em qualquer adaptação. Mas vale a pena assistir. Surpreenda-se com a genialidade de jorge Amado e explore a política e religião por outro ângulo. 



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